Um gol do Revoltados que Pelé assinaria
Parecia só mais um sábado de 2001, normal.
O roteiro estava totalmente dentro do esperado: Quadra longe, na Vila Diva. Meio time faltou. A gente com pouca gente e muitas dificuldades.
O segundo quadro estava num ótimo dia, mas o adversário era de boa qualidade e o jogo corria equilibrado: 1x1, 2x2, 3x3...
De repente, eu faço um gol maravilhoso de cobertura, pegando o goleiro dos caras adiantado. Mas, ninguém lembra desse gol. E a culpa é do Silas.
O que o Silas fez na Vila Diva é uma sacanagem. O time em todas as fases fez 4000 gols, 2100 só pelo Revoltados.
O que o Silas fez foi uma obra-prima um gol que Pelé assinaria, um gol pra subjugar todos os outros 4000 gols...
Um gol que se eu não tivesse visto, eu não acreditaria. Aquilo não é um gol, aquilo é ficção científica...
Nosso time vencia por 6x5 a mais ou menos de 5 minutos do final. Nós estávamos num contra-ataque pra matar o jogo. Só que perdemos a bola.
O adversário veio louco pra cima de nós pra tentar empatar. Os caras vieram tabelando 3 contra 1 pra cima de mim.
Os caras erraram o passe eu interceptei. Percebendo que nosso time tava todo lá na frente, eu lancei, meio de carrinho lá na frente. O passe não foi certinho, mesmo que foi feito com pressa e também de carrinho.
Só que o Leandro consertou o passe com um belíssimo toque de calcanhar pelo alto, que deixou o Silas de frente pro gol, na marca do pênalti.
O goleiro saiu desesperado no Silas, pra fazer falta, que era o último recurso.
Pois o Silas pegou o toque de calcanhar do Leandro, sem deixar pingar no chão. E com o goleiro já em cima dele, louco pra matar o lance e fazer a falta.
O SILAS, SIMPLESMENTE DÁ UM CHAPÉU DE CARRETILHA NO GOLEIRO, ATÔNITO.
Calmamente, como se fosse uma coisa normal, ele matou a bola no peito , do outro lado do chapéu no goleiro. Botou a bola no chão e foi levando até o gol a 1Km por hora.
Mais ou menos 50 pessoas assistiam o jogo. Um silêncio que você ouvia uma agulha cair no chão.
Quando a bola entrou no gol, todo mundo que assistia o jogo aplaudiu.
Jogadores adversários aplaudiam o gol. Jogadores reservas saíram do banco e entraram na quadra pra cumprimentar o Silas.
Nosso time comemorou o gol de maneira contida, a gente não estava acreditando no que estava vendo.
O jogo acabou 7x6, mas isso nem era o mais importante.
O gol mais bonito da história do time, em qualquer fase, havia sido feito e não havia necessidade de palavras.
A gente já parecia saber ali, que a história estava passando na nossa frente.


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